Vertedouro da Usina São José é dimensionado para suportar em torno de 4 vezes a vazão

Vertedouro da Usina São José é dimensionado para  suportar em torno de 4 vezes a vazão agora verificada
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MATÉRIA PUBLICADA NA EDIÇÃO IMPRESSA EM 10 DE MAIO DE 2024

Diante do triste cenário de enchentes vivido atualmente no Rio Grande do Sul, e ainda, muitas dúvidas que surgem entre a população em relação a possibilidade, ou não, de fatos semelhantes em nossa região, a reportagem do jornal Gazeta Integração entrou em contato com o setor técnico da Alupar e Ijuí Energia, para explicar detalhes sobre o  funcionamento de uma barragem, como é o caso da Usina São José, localizada no município de Salvador das Missões.

De início é importante pontuar que a UHE São José (Ijuí Energia) é um empreendimento construído dentro das melhores práticas de engenharia e encontra-se em estado de operação NORMAL, sem qualquer tipo condição que desabone a sua segurança. Suas estruturas civis possuem instrumentos de medição cujos dados são periodicamente  avaliados por equipe especializada interna e externa visando garantir a plena segurança.

DOIS TIPOS DE RESERVATÓRIO: ACUMULAÇÃO E FIO D’ÁGUA
Diante dos últimos acontecimentos e para melhor entender a influência de barragens no controle de cheias é importante compreender a diferença entre os dois tipos de  reservatórios que existem: de acumulação e fio d´água. O primeiro tem condições de subir e baixar o nível do reservatório de forma significativa, já que possuem um grande volume de estoque, assim, podem atuar para regularizar vazões em período de cheias. Já o segundo (fio d´água) possui pouca ou nenhuma capacidade de alteração de nível e,
portanto, toda água que chega no barramento é repassada para jusante/abaixo da usina.

A UHE São José possui reservatório à fio d´água com variação máxima de 1 metro. Em outras palavras, não atua como um mitigador de cheias. O ganho relevante de uma usina no curso do rio é que a operação destes empreendimentos trabalha com informações meteorológicas diárias, possui estações hidrométricas espalhadas no reservatório e ainda conta com previsões oficiais do Operador Nacional do Sistema (ONS), autarquia responsável pela operação de todos os reservatórios do país. Desta forma, e com esses recursos pode, antecipadamente, planejar as ações conjuntas com a defesa civil de forma preventiva, caso se verifique uma alteração significativa no volume das chuvas.

ACOMPANHAMENTO DETALHADO
Nesta ocorrência recente de chuvas fortes na região, por exemplo, a UHE São José teve uma atuação muito próxima da Defesa Civil Estadual o que permitiu um acompanhamento detalhado dos dados de evolução das vazões, viabilizando uma melhor coordenação das ações junto à comunidade.

Até o momento nenhuma residência foi atingida e, de forma antecipada e visando mitigar possíveis impactos, a Defesa Civil vem dando suporte às famílias da região. A título de informação, apesar de termos verificado a maior vazão do Rio Ijuí desde o início de operação, o vertedouro é dimensionado para suportar em torno de 4 vezes a vazão agora verificada. Logo, diante do cenário descrito e do que está acontecendo em várias regiões do Estado do Rio Grande do Sul verifica-se que até o momento no cenário local, os danos foram demasiadamente menores, que os verificados nas outras regiões.

Por fim, destacamos que a UHE São José e todo o grupo Alupar (holding brasileira que atua nas áreas geração e transmissão no Brasil e América Latina) está atuando de forma responsável, transparente e sem medir esforços neste período de crise, para conferir o melhor resultado para a nossa região, bem como para o estado do Rio Grande do Sul, apoiando a Defesa Civil Estadual em suas ações, inclusive com doações de kits de cobertores, roupas de cama e colchões, para aliviar o sofrimento daqueles mais vulnerávei.

1. Como é o funcionamento de uma barragem, no controle da água em caso de chuvas intensas?

Resp.: As Usinas Hidroelétricas do Sistema Elétrico Brasileiro são despachas (gerenciadas) de forma centralizada, ou seja, têm sua geração e abertura de comportas alinhadas a diretrizes do Operador Nacional do Sistema – ONS

2. A barragem ajuda a evitar enchentes, protegendo áreas habitadas?

Resp.: É importante compreender a diferença entre os dois tipos de reservatórios que existem: de acumulação e fio d´água. O primeiro tem condições de subir e baixar o nível do reservatório de forma significativa, já que possuem um grande volume de estoque, assim, podem atuar para regularizar vazões em período de cheias. Já o segundo (fio d´água) possui pouca ou nenhuma capacidade de alteração de nível e, portanto, toda água que chega no barramento é repassada para jusante/abaixo da usina, como é o caso da UHE São José.

3. Quando “ambrem-se as comportas”, existe o risco de alagamento em áreas que ficam abaixo da barragem?

Resp.: Se chover quantidades muito elevadas, muito acima da média como ocorreu nas outras regiões, infelizmente sim, mas não por causa das usinas, mas por causa da elevada precipitação. O que podemos fazer para ajudar e já estamos fazendo é avisar a defesa civil de forma antecipada sobre a possibilidade de grandes volumes de previstos.