
Com chances cada vez maiores de modificação no regime de chuvas, o El Niño já acende o alerta para mudanças no clima do Rio Grande do Sul e em outras regiões do Brasil. Conforme informações repassadas pelo meteorologista da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) de Cerro Largo, Anderson Nedel, o último relatório climático divulgado na semana passada, pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) aponta 82% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño entre maio e julho deste ano.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, provocando alterações na circulação atmosférica e influenciando diretamente o regime de chuvas em diversas partes do planeta. No Brasil, os impactos mais comuns costumam ser o aumento das chuvas na região Sul e a redução das precipitações na região Norte do País.
Segundo Anderson Nedel, climatologicamente o El Niño costuma atingir sua maior intensidade durante a primavera no Sul do Brasil, estendendo seus efeitos até o início do verão. Os modelos meteorológicos também indicam uma probabilidade de 96% de continuidade do fenômeno entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, o que sugere um começo de ano com volumes elevados de chuva no Estado.
Apesar disso, o meteorologista ressalta que ainda não é possível determinar a intensidade do fenômeno em relação à quantidade de precipitação e distribuição das chuvas no Estado. “Os modelos ainda apresentam muita incerteza em relação ao longo prazo, principalmente sobre a possibilidade de um El Niño forte ou muito forte”, explica.
O especialista destaca que os impactos no Rio Grande do Sul estão ligados às conexões atmosféricas e pelo aquecimento das águas do Pacífico. Essas alterações favorecem episódios de chuva mais frequentes e volumosos na região Sul. Além disso, as mudanças climáticas globais têm contribuído para precipitações mais intensas em curtos períodos de tempo.
Mesmo com o aumento da preocupação da população após as enchentes históricas registradas em 2024, Anderson Nedel afirma que não é possível garantir que um novo evento extremo semelhante volte a ocorrer apenas em razão do El Niño.
“Embora exista previsão de mais chuva, não se pode afirmar que teremos uma nova enchente como a de 2024. Naquele episódio, houve também outros fenômenos meteorológicos atuando em escala regional, que contribuíram para a gravidade da situação”, pontua.
Diante do cenário, o monitoramento climático e o acompanhamento da previsão, segue sendo fundamental nos próximos meses, especialmente para acompanhar a evolução do fenômeno e seus possíveis reflexos sobre a agricultura, os reservatórios hídricos e as condições climáticas no Rio Grande do Sul.
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