Projeto da UFFS Cerro Largo leva acervo do Museu 25 de Julho para o ambiente digital

  • 9 de setembro de 2026
  • Geral
Projeto da UFFs Cerro Largo leva acervo do Museu 25 de Julho para o ambiente digital
Compartilhe

Mapas do início do século XX, jornais e outros documentos que ajudam a contar a história de Cerro Largo e da região estão entre os materiais que devem ganhar novas formas de preservação e acesso por meio de um projeto de cultura da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Cerro Largo.

Coordenado pela professora Caroline Mallmann Schneiders, o projeto “Museu 25 de Julho e outros espaços de circulação” é desenvolvido desde maio de 2025 em parceria com o Museu 25 de Julho e o Centro Cultural 25 de Julho de Cerro Largo. O objetivo é contribuir para a preservação do patrimônio histórico e cultural mantido pelo museu e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso da comunidade a esse acervo por meio da criação de um espaço virtual.

Práticas museológicas e da arquivologia

A professora explica que para a disponibilização online de itens pertencentes ao museu, é necessário um trabalho anterior. Por isso, no primeiro ano de desenvolvimento do projeto, os esforços centraram-se tanto em uma compreensão teórica como prática a respeito de como adentrar, manusear, documentar e digitalizar o acervo do museu.

Entre os primeiros materiais trabalhados estão mapas históricos datados do período de fundação de Cerro Largo, no início do século XX. Os documentos passaram por etapas de higienização, catalogação, acondicionamento e digitalização. Por suas grandes dimensões, parte dos mapas foi encaminhada a Porto Alegre para digitalização, realizada com o apoio do Centro de Documentação e Acervo Digital (CEDAP), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Segundo Caroline, o trabalho evidencia que a preservação do acervo vai além da conservação dos documentos. “Cada documento, fotografia, mapa ou jornal presente no acervo carrega fragmentos das vivências e experiências da comunidade, constituindo um patrimônio que precisa ser preservado e colocado em circulação”, destaca.

Ela também explica que o projeto prioriza materiais bibliográficos e documentais que são relevantes para a história local e regional, isso porque o museu guarda um número expressivo de itens em seu acervo, incluindo objetos e peças históricas, materiais bibliográficos e documentais. “Essa experiência possibilitou compreender a relevância do trabalho técnico relacionados à preservação de acervos e à responsabilidade envolvida na conservação da memória histórica”, conta.

Museu também no ambiente digital

Paralelamente ao trabalho com o acervo físico, a equipe está desenvolvendo um site para o Museu 25 de Julho, que permitirá o acesso digital a parte dos materiais preservados. Atualmente, o projeto realiza os processos de organização do layout do site, bem como processo de coleta das informações gerais que serão inseridas em sua página inicial. “É uma etapa que exige um trabalho cuidadoso de pesquisa, revisão e organização das informações, buscando garantir que o ambiente virtual acessível, funcional e representativo da história preservada pelo museu”, aponta Caroline.

Também está prevista a disponibilização no site a catalogação do jornal O Cerro Largo, pertencente ao acervo do museu. A catalogação desse material foi realizada por outra ação da UFFS, o “Programa documentação museológica no acervo do Museu 25 de Julho”, coordenado pela professora Ana Beatriz Ferreira Dias, com o qual o projeto desenvolve ações integradas. Para Caroline, colocar esses materiais em circulação também é uma forma de aproximar a comunidade de sua própria história. “O museu configura-se como um espaço de preservação da identidade cultural, de fortalecimento da memória social e de valorização das narrativas históricas locais. O espaço online amplia essa possibilidade, tornando o patrimônio mais acessível à comunidade”, afirma.

Para a bolsista Isabeli Knebel, “a participação proporcionou o desenvolvimento de diversas habilidades acadêmicas e profissionais, como pesquisa documental, escrita formal, organização de informações, catalogação, utilização de ferramentas digitais e trabalho em equipe. Além disso, a experiência extensionista contribui para o fortalecimento do senso crítico e da responsabilidade social, uma vez que permite compreender a importância da preservação da memória coletiva enquanto compromisso cultural e cidadão”.

Além do CEDAP/UFRGS, o projeto reúne professores, estudantes de graduação e pós-graduação, servidores técnicos, voluntários e participantes externos. A iniciativa também conta com colaboração das áreas de informática e comunicação para o desenvolvimento do espaço virtual.

Fonte: UFFS