
Matéria publicada na edição impressa em 26 de janeiro de 2024
Hoje, o hobby do casal José e Ângela Agnes, da comunidade da São Francisco, Cerro Largo, virou negócio que percorre não somente o Município, mas também vários Estados Brasileiros e até mesmo em terras internacionais. Em 2020, eles resolveram se aperfeiçoar na área de vinhos, mediante curso online e com acompanhamento de profissional especializado em vinícola. O curso durou 11 meses, com intensos ensinamentos que abrangeram desde o plantio das parreiras até o processo de produção, armazenamento e comercialização do vinho.
Em entrevista ao Jornal Gazeta Integração, o casal lembrou que a produção de vinho é herança de família e que foi incrementada como fonte de renda nos últimos anos. Além da comercialização do vinho e das uvas, o casal também possui produção leiteira e cultiva grãos, como soja, milho e trigo.
VINHO COMO FONTE DE RENDA
A produção da Adega Tafelwein é totalmente artesanal, o que não inclui ingredientes industrializados. O vinho é resultante da fermentação do mosto da uva, um processo que envolve vários fenômenos bioquímicos e físicoquímicos que conferem uma gama variada de composições, levando a condições diversificadas de gosto, aspecto e aromas.
Para comportar a produção, o casal desenvolveu um espaço específico para a realização do processo de produção, no subsolo, um local fresco e arejado. É lá que estão os tanques e ferramentas necessárias para a produção.
O casal produz vinhos de dois tipos: de mesa (uvas de origem americana) e finos (uvas de origem europeia). A produção anual chega a 3 mil litros. Dentre as variedades usadas na preparação do vinho de mesa está a Niágara branca, Isabel e Bordô. Para as opções finas, o destaque é para as variedades Cabernet Sauvignon, Merlot e Moscato. Embora José e Ângela possuem parreira de uva, a matéria prima utilizada para a fabricação do vinho vem da serra gaúcha. As uvas plantadas no quintal de casa são comercializadas in natura.
PROCESSO DE FABRICAÇÃO
O processo de fabricação é lento e compreende 15 passos que são rigorosamente seguidos para a busca por um vinho de sabor e qualidade. Um dos primeiros passos é a obtenção da matéria prima que segue para ser prensada e armazenada em uma mastela.
Na elaboração do vinho, após o esmagamento das uvas, o mosto fermenta com as cascas e as sementes para que contribuam com sabores, aromas e textura no vinho final. A liberação de gás carbônico pelas leveduras durante a fermentação alcoólica empurra essas cascas para cima e uma camada que flutua sobre o vinho é formada. Essa massa compacta é denominada chapéu. ''De seis em seis horas temos que fazer o acompanhamento e verificação da temperatura, que não pode ultrapassar 24ºC. Para isso, faz-se a colocação de litros de gelo'', explicou José.

Outra técnica utilizada no processo é a remontage, usado para permitir que os materiais sólidos da uva fiquem mais tempo em contato como sumo da uva, ajudando na extração dos componentes. ''Se a casca do chapéu não afunda, ela seca e pode comprometer a qualidade do vinho, podendo até mesmo azedar'', acrescentou o produtor.
Com o aparelho chamado densímetro, é possível acompanhar a densidade no processo de fermentação, uma variação detectável entre 1.000 e 1.100. ''Com as cascas, o número chega próximo ao máximo. Com a retirada das cascas, chega-se em média, em 1.020. A fermentação continua agindo com o intuito de se obter a densidade 1.002''.
O próximo passo é a transferência do conteúdo para a pipa que conta com um batoque hidráulico, possibilitando que o gás carbônico saia, e que o oxigênio não entre para não azedar o produto. O conteúdo permanece nesse sistema até ser engarrafado.
Na sequência, são realizadas três trasfegas, ou seja, a transferência para o tanque. ''Nesse momento realiza-se a limpeza da pipa, seguida pela recolocação do produto no local. Em todas as etapas, são coletadas amostras e enviadas para análise, afim de atestar a qualidade do vinho produzido'', disse Ângela. Após esse processo, o vinho está pronto para ser engarrafado e armazenado. O engarrafamento acontece depois do inverno.
Fonte: Jornal Gazeta Integração
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