
Em Chiapeta, família Ledur conheceu modelo referência no Estado, servindo de inspiração para a sua propriedade
MATÉRIA PUBLICADA NA EDIÇÃO IMPRESSA DO DIA 25 DE JULHO DE 2025 - ESPECIAL COLONO E MOTORISTA
Na localidade de São Francisco, interior de Cerro Largo, tradição e inovação caminham lado a lado. A família Ledur, cuja trajetória na atividade leiteira remonta à época de José Sertinino e Ana Lucilda Ledur, está protagonizando um novo capítulo marcado pelo uso de alta tecnologia no campo.
Hoje, a produção leiteira é conduzida por Blásio (60 anos) e Nilse (64), ao lado da filha Nívea Ledur (31) e do genro Diego Goldschmidt (32) e também do filho José Eduardo que atualmente reside e estuda Zootecnia em Santa Maria, mas que nos finais de semana retorna à Cerro Largo auxiliando na atividade e que, futuramente, pretende dar sequência ao ramo leiteiro.
A sucessão familiar foi naturalmente construída: Nívea cresceu no meio rural e saiu em 2012 para cursar Agronomia na UFSM. Lá conheceu Diego, estudante de Ciências Contábeis. Em 2016, ela retornou à propriedade e, com Diego, deu início a uma nova fase para o negócio da família, combinando conhecimento técnico, gestão e investimento.
Do balde à automação
Nívea lembra que, no tempo dos avós o leite era retirado manualmente de poucas vacas e carregado em baldes até a beira da estrada. Hoje, a realidade é outra: o rebanho conta com cerca de 100 vacas em lactação e se prepara para um salto tecnológico significativo. A propriedade iniciou a implementação de um sistema free stall com quatro robôs de ordenha — um dos modelos mais modernos do país. Cada robô será capaz de ordenhar até 70 vacas, com precisão e acompanhamento em tempo real da saúde dos animais.
"Os robôs nos ajudarão a identificar doenças precocemente, ajustando o manejo e garantindo bem-estar animal", destaca Nívea. “Além disso, o free stall permite maior aproveitamento do espaço e eficiência no manejo, o que reduz custos.”
Estrutura de ponta
A obra em andamento terá área total de 5.250m², com espaço para até 400 animais. O projeto inclui ainda climatização com exaustores para manter a produtividade mesmo nos meses de calor, e um sistema separador de dejetos, voltado à reutilização e sustentabilidade ambiental.
A estrutura será a segunda maior do gênero no estado e deve ser concluída até o final de 2026. A empresa responsável pela execução é de Santa Catarina, e o planejamento das plantas para a obra iniciaram em setembro de 2024. Após a finalização e assinatura, foi feito o licenciamento ambiental e após a primeira licença, a terraplanagem que contou com apoio da Prefeitura Municipal.
Planejamento e viabilidade
O projeto foi cuidadosamente planejado. A família visitou propriedades-modelo, inclusive em Chiapeta, referência estadual, para avaliar qual modelo traria melhor retorno sobre o investimento. O objetivo é alcançar 280 vacas em lactação quando a estrutura estiver operando plenamente.
“O investimento só vale se houver volume de produção”, reforça Diego. Por isso, antes mesmo da obra, a família já vinha realizando melhorias genéticas e ampliando o número de animais.
Agricultura e desafios
Além do leite, os Ledur cultivam grãos em cerca de 300 hectares distribuídos por Cerro Largo, Campina das Missões, Salvador das Missões e São Paulo das Missões. A diversificação ajuda a equilibrar os riscos da atividade rural, mas não elimina os desafios.
“O clima é um dos nossos maiores impecílios. Geadas, secas ou chuvas em excesso afetam a produtividade”, comenta Nívea. Outro ponto sensível é o preço do leite, que nos últimos meses tem sofrido quedas consecutivas. Mesmo assim, o casal acredita na atividade: “É uma das poucas que garante renda contínua ao longo do ano.”
Mão de obra e futuro
Com três funcionários na propriedade, a família também aponta a dificuldade em encontrar mão de obra qualificada como um dos entraves da atividade. Por isso, a tecnologia também entra como apoio, permitindo otimizar a equipe e concentrar o trabalho em outras demandas necessárias.
A história da família Ledur mostra como a sucessão familiar pode ser fortalecida com educação, planejamento e inovação. Ao unir a tradição herdada dos avós com um olhar voltado para o futuro, eles constroem um novo modelo de produção leiteira: eficiente, sustentável e com base no conhecimento técnico e na gestão profissional.
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