Família Grutzmann mantém tradição de três gerações na agricultura em São Paulo das Missões

Família Grutzmann mantém tradição de três gerações na agricultura em São Paulo das Missões
Compartilhe

MATÉRIA PUBLICADA NA EDIÇÃO DO DIA 25 DE JULHO - ESPECIAL COLONO E MOTORISTA

No interior de São Paulo das Missões, Joabel Gruetzmann cultiva muito mais do que lavouras e pastagens na Linha Barão, interior de São Paulo das Missões. Ele preserva uma história de gerações dedicadas à agricultura familiar, iniciada em 1947, quando seus avós paternos, Emílio Roberto Carlos Grutzmann e Alida Wagner Gruetzmann, adquiriram a propriedade de 27 hectares onde hoje ele vive e trabalha. O casal teve oito filhos, entre eles Ceno, pai de Joabel, que assumiu a propriedade em 1988 ao lado da esposa Nair Neitzke Grutzmann.

Da juventude na roça à decisão de ficar
Agora, é Joabel quem dá continuidade ao trabalho iniciado pelos avós, formando a terceira geração da família Grutzmann no campo. Desde jovem, ele sempre esteve envolvido na lida da roça, e em 2005, ao casar-se com Sandra Rose Grutzmann Vorpagel, iniciou um novo ciclo. O casal tem dois filhos: Maicon e Maiara.

Leite como atividade principal
A decisão de permanecer na agricultura foi natural. “Sempre gostei de trabalhar na roça. Como a propriedade já estava estruturada e minha irmã foi para a cidade, fiquei para continuar os trabalhos”, conta. Atualmente, a principal atividade da propriedade é a produção de leite, com 27 vacas em lactação, cada uma produzindo em média de 20 litros por dia.

A rotina começa cedo, por volta das 6h da manhã. A ordenha é feita por Nair e Sandra, enquanto Joabel cuida do trato das novilhas e vacas secas. Ceno trata os porcos e galinhas e ajuda a levar as vacas para a pastagem. Depois do café, todos seguem para suas tarefas: a mãe prepara o almoço, e os demais se dedicam à lavoura, com plantio de milho, soja, preparo do solo e cuidados com a pastagem.

Desafios e transformações no campo
O maior desafio, segundo Joabel, ainda é o clima. “Quando faz muito frio, é ruim para tirar leite. No calor, as vacas sentem o estresse e a produção diminui.” Por outro lado, o avanço tecnológico facilitou o dia a dia. “Antes era tudo no braço. Hoje temos maquinário e até o leite é tirado de forma mecanizada. O serviço braçal diminuiu bastante.”

A satisfação vem com os resultados. “O mais gratificante é ver que o trabalho dá frutos, que a propriedade prospera.” E já há esperança para a quarta geração: Maicon estuda na Casa Familiar Rural, na Butiá Norte, escola voltada à sucessão no campo situada em Campina das Missões. Maiara ainda está no Ensino Fundamental, na Escola São José (SPM), com futuro incerto quanto à profissão que quer seguir.

Reconhecimento e valorização
Para Joabel, o Dia do Colono e do Motorista é uma forma de dar visibilidade e respeito a quem produz e transporta. “A sociedade precisa entender de onde vem o alimento e valorizar quem produz.”

Como mensagem final, ele deixa um recado:
“Que cada agricultor e motorista sinta orgulho daquilo que faz. Alimentamos e movimentamos o país. Isso tem valor e merece reconhecimento.”