Família de Guarani das Missões constrói a renda com trabalho no campo e na estrada

  • 26 de agosto de 2026
  • Geral
Família de Guarani das Missões constrói a renda com trabalho no campo e na estrada
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O Dia do Colono e Motorista, celebrado em 25 de julho, ganha um significado especial para a família de Elton Gottardo, 48 anos, e Ediane Powala, 36 anos, moradores da Linha Botocudos, interior de Guarani das Missões. O casal vive diariamente a realidade das duas profissões homenageadas na data, dividindo a rotina entre a agricultura e o transporte rodoviário de cargas. Eles são pais de cinco filhos: Juliana, de 15 anos, Solano, de 12, Mathias, de 10, Izabel, de 4, e Lívia, de 1 ano e 3 meses.

Embora possuam uma pequena propriedade rural, a família encontrou na diversificação das atividades a maneira de garantir a sustentabilidade do negócio. Atualmente, a principal fonte de renda no campo é a produção de feno de grama, com cerca de 10 hectares destinados às variedades Tifton 85 e Jiggs.

O casal integra ainda o programa Terra Forte, do Governo do Estado em parceria com a Emater e Prefeitura Municipal, iniciativa voltada à recuperação e fortalecimento das propriedades da agricultura familiar. O objetivo é ampliar a produtividade e melhorar ainda mais as condições da propriedade.

Antes de investir na produção de feno, a família cultivava soja, milho e mantinha atividade leiteira. Com o passar dos anos, porém, a limitação da área levou à decisão de especializar a produção. Hoje, além do feno, também produzem mel, criam gado e peixes, e já planejam implantar um sistema para criação de tilápias.

A produção do feno exige planejamento e conhecimento técnico. O corte é realizado, em média, a cada 90 dias, rendendo aproximadamente 300 fardos por hectare. Após o corte, há todo um processo de secagem, manejo da umidade e enfardamento para garantir um produto de qualidade.

Agricultora, motorista e dona de casa
Quem observa a rotina da família percebe que Ediane participa de todas as etapas do trabalho. Além de cuidar da casa e dos filhos e de sua mãe que é paciente oncológica, ela faz toda a parte administrativa da empresa do marido, dirige caminhão e trator, opera equipamentos agrícolas, realiza o enfardamento, transporta os fardos de feno, corta lenha e executa inúmeras outras tarefas da propriedade.

Antes de dedicar-se integralmente à agricultura, ela trabalhou no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Guarani das Missões, por um período de cinco anos.

Segundo a família, em pequenas propriedades todos precisam colaborar para que o trabalho aconteça. A participação dos filhos também faz parte dessa rotina, principalmente da filha mais velha, que auxilia nos serviços gerais, todos sendo incentivados a amar e conhecer as profissões dos pais, e assim a possível sucessão.

A profissão que virou empresa

Enquanto Ediane conduz a rotina da propriedade, Elton percorre diariamente as rodovias da região transportando combustíveis. Proprietário da Gottardo Transportes, ele é especializado no transporte de cargas perigosas e atende distribuidoras e postos de combustíveis em praticamente toda a região Noroeste do Rio Grande do Sul.

Atualmente, a empresa realiza a distribuição de aproximadamente 4 milhões de litros de combustível por mês, utilizando uma frota composta por quatro caminhões, entre eles uma carreta e um bitruck, e dois truck, além de contar com motoristas contratados.

A empresa surgiu de forma gradual. Elton trabalhou durante quatro anos como frentista e motorista no Posto do Aleixo de Cerro Largo. Quando o proprietário decidiu vender o caminhão, ele aproveitou a oportunidade para adquirir o veículo e iniciar seu próprio negócio. Com muito trabalho, foi ampliando a frota e conquistando espaço no mercado regional.

A escolha pela profissão também foi influenciada pelas dificuldades enfrentadas na agricultura. Como a propriedade é pequena, o transporte tornou-se uma importante fonte de renda complementar para a família.

Segurança acima de tudo
Transportar combustíveis exige muito mais do que habilidade ao volante. Elton explica que o segmento é um dos mais rigorosos do transporte rodoviário, devido ao risco envolvido na atividade.

Além das constantes inspeções, cursos de capacitações, a empresa precisa cumprir uma série de exigências legais, como contratação de diferentes modalidades de seguros, gestão de riscos, monitoramento dos veículos por GPS, câmeras de segurança e rígidos protocolos operacionais.

Durante as entregas, diversos fatores precisam ser observados, como temperatura, condições do ambiente e procedimentos específicos para descarregamento dos tanques, evitando qualquer possibilidade de faísca que possa provocar incêndios ou explosões.

O caminhoneiro lembra que já enfrentou um princípio de incêndio na cabine de um caminhão, causado por uma falha elétrica. Graças ao treinamento e ao uso imediato do extintor de incêndio, conseguiu controlar a situação rapidamente.

Segundo ele, trabalhar com combustível significa conviver diariamente com a responsabilidade de preservar não apenas o patrimônio da empresa, mas principalmente a vida das pessoas, e do meio ambiente.

Elton também define a profissão como "uma verdadeira caixinha de surpresas". Ao concluir uma entrega, uma nova viagem já está programada, com diferentes destinos, clientes e situações que exigem atenção permanente.

Profissões que movem o país
Para Elton e Ediane, o Dia do Colono e Motorista representa o reconhecimento a duas atividades que caminham juntas. Afinal, enquanto o agricultor produz os alimentos e matérias-primas, o motorista é responsável por fazer com que essa produção chegue ao destino.

Apesar das dificuldades enfrentadas no campo e nas estradas, o casal afirma que continua trabalhando com dedicação e esperança de dias melhores. Para eles, é o esforço diário que garante o sustento da família e contribui para abastecer a mesa das pessoas, reforçando a importância de duas profissões fundamentais para o desenvolvimento do país.