Falta momentânea em postos não indica desabastecimento de combustíveis

  • 13 de março de 2026
  • Geral
Falta momentânea em postos não indica desabastecimento de combustíveis
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Relatos recentes de dificuldades para encontrar combustível em algumas regiões do país têm gerado preocupação entre consumidores e produtores. Apesar disso, autoridades e representantes do setor afirmam que não há risco de desabastecimento de gasolina ou diesel no Brasil, mesmo diante da instabilidade provocada pela alta do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o governo acompanha de perto o mercado de combustíveis e monitora possíveis práticas especulativas na distribuição e revenda. Segundo ele, o abastecimento nacional segue garantido, apesar de episódios pontuais de dificuldade na aquisição de diesel.

O ministro destacou que o Brasil importa cerca de 27% a 29% do diesel consumido no país e entre 13% e 15% da gasolina, mas a avaliação do governo é de que a exposição do país às tensões geopolíticas é limitada.

Sindicato descarta falta no RS

No Rio Grande do Sul, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do RS (Sulpetro), João Carlos Dal’Aqua, também reforçou que não há desabastecimento de combustíveis no estado.

Segundo ele, situações isoladas podem ocorrer devido ao aumento da procura em determinados locais. “Quando um posto eventualmente fica sem combustível, geralmente outro nas proximidades ainda tem produto disponível”, afirmou.

Nos últimos dias, produtores rurais e empresas de transporte relataram dificuldades para comprar diesel em algumas regiões do estado. Em Bagé, por exemplo, o litro chegou a R$ 8,04, conforme levantamento divulgado pela RBS TV.

Dal’Aqua explicou que o cenário internacional tem influenciado o mercado. Parte do diesel consumido no Brasil é importada, e o conflito no Oriente Médio impacta rotas estratégicas de transporte, como o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial.

Distribuição segue normal

Apesar das preocupações, o dirigente destacou que as distribuidoras continuam recebendo as cotas normais da Petrobras e repassando aos postos. A prioridade costuma ser para estabelecimentos que possuem contrato de fornecimento com distribuidoras.

Já os chamados postos de bandeira branca, que compram combustível diretamente no mercado, podem enfrentar maior dificuldade em alguns momentos, dependendo da disponibilidade.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) também informou que não há registro de falta generalizada de combustíveis no país. Segundo o sindicato, a insegurança provocada pelo cenário internacional levou muitos consumidores a abastecer mais do que o habitual, o que acaba pressionando temporariamente a logística de distribuição.

Governo zera impostos do diesel e prevê redução no preço do combustível

O governo federal anunciou medidas para reduzir o impacto da alta internacional do petróleo no Brasil, incluindo a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel. A decisão foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e tem como objetivo diminuir o custo do combustível e amenizar os efeitos da instabilidade no mercado internacional.

Segundo o governo, a retirada desses tributos pode gerar uma redução estimada de cerca de R$ 0,32 por litro nas refinarias. Além disso, uma Medida Provisória prevê o pagamento de subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores de diesel, valor que deverá ser repassado ao preço final do combustível.

Com a soma das duas medidas, a expectativa é de que o diesel possa ficar até R$ 0,64 mais barato por litro nas refinarias.

Outra ação anunciada pelo governo foi a taxação de 12% sobre a exportação de petróleo bruto, medida que busca estimular o refino dentro do país e ampliar a oferta de derivados no mercado interno.

As medidas foram apresentadas em evento em Brasília pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integram um conjunto de ações para reduzir os impactos da alta do petróleo na economia brasileira. O governo também informou que haverá reforço na fiscalização sobre distribuidores e revendedores para garantir que a redução de custos chegue ao consumidor final.

Fonte: G1/GZH/Jornal A Hora