Desafios e incertezas nas culturas do inverno

Desafios e incertezas nas culturas do inverno em Sete de Setembro
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A safra de inverno de 2025 tem exigido resiliência dos produtores da região das Missões. As principais culturas da época — trigo, canola e aveia — enfrentam sérios impactos causados pelo excesso de chuva, geadas e, também de dias mais secos. No Rincão dos Donatos, interior de Sete de Setembro, o engenheiro agrônomo e produtor Jairo Wojciechowski é um dos que vivem essa realidade no campo.

Logo no início do ciclo, as lavouras de canola, implantadas no começo de maio, foram duramente afetadas por chuvas intensas em junho — em um único dia, foram registrados cerca de 200 milímetros de precipitação. “O excesso de água provocou o tombamento, ou seja, a morte das plantas”, explica Jairo.

Apesar de ter feito seguro agrícola da área plantada, o produtor revela que a cobertura foi limitada. “A seguradora devolveu apenas o valor pago para a cobertura da cultura. Os demais custos, como combustível, fertilizantes, aplicação de defensivos e serviços, ficaram com o agricultor. O prejuízo ficou conosco”, lamentou. No caso de Jairo, o prejuízo em uma área de 25 hectares de canola passou dos R$ 40 mil. Sem tempo a perder, ele optou por reimplantar trigo na área perdida. Ao todo, nesta safra de inverno, destinou 65 hectares ao trigo e outros 2 hectares à aveia voltada ao consumo animal.

Análise das culturas na região
Nas áreas de trigo e aveia semeadas no início de junho, o manejo está sendo marcado agora pela aplicação de fungicidas devido às manchas foliares. Algumas áreas de baixada, afetadas pela umidade excessiva, exigiram replantio. Para a canola, as dificuldades se agravaram com a geada ocorrida entre meados e o fim de junho, que chegou a causar a morte de plantas, especialmente em locais mais baixos.

Além dos prejuízos já contabilizados, o ritmo da semeadura do trigo segue lento. Muitos produtores, conforme Jairo, estão semeando apenas agora, entre o final de junho e o início de julho, aproveitando o tempo firme. Porém, em alguns casos de agricultores com financiamento do PROAGRO, o plantio segue regras com relação ao período do plantio, sendo necessário seguir as normas para não inviabilizar o seguro, caso ele seja acionado. ‘‘É muito difícil seguir esse prazo, porque muitas vezes ele é curto e pode ser prejudicado pelo excesso ou falta de chuva, até mesmo inviabilizando o plantio’’, comentou Jairo que também é vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Guarani das Missões e Sete de Setembro.

Mas a previsão de tempo seco até quase o fim do mês, embora ajude na semeadura, preocupa quanto à disponibilidade de umidade para o desenvolvimento das culturas.
“Será bem complicado aplicar ureia nas primeiras áreas que agora entram no perfilhamento. É uma fase que exige nitrogênio, mas sem umidade não tem como aplicar o fertilizante”, alertou. Para quem está semeando agora, a falta de chuva pode afetar a germinação e provocar atrasos no desenvolvimento do trigo.

A preocupação no campo também é econômica. Os custos de produção das culturas de inverno são elevados, e a rentabilidade nem sempre acompanha. “Se fizer a conta, muitas vezes o produtor planta por amor à profissão, não porque vai ter um excelente rendimento. A realidade da comercialização desanima, mas a esperança é a última que morre”, desabafou Jairo.
Como exemplo do impacto nos custos, ele cita o aumento de 18% no preço do nitrogênio, influenciado por fatores externos, como a guerra entre Rússia e Ucrânia. “Quem não comprou insumos com antecedência acabou enfrentando uma alta considerável no custo da produção”, completou.

A safra de inverno, essencial para a rotação de culturas e o sustento de muitas famílias rurais, segue sendo um desafio em 2025. Os relatos de produtores como Jairo mostram que o campo exige não apenas técnica e investimento, mas também coragem para seguir diante das incertezas climáticas e econômicas.