
Nascido em Cerro Largo, com parte da infância vivida em Novo Hamburgo e há cerca de duas décadas radicado em Porto Alegre, o economista Oscar Frank Junior construiu sua trajetória profissional na área econômica. Hoje, como economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre, atua na análise do varejo e na construção de estratégias para o desenvolvimento do setor e do empreendedorismo.
Mesmo distante fisicamente, Oscar mantém forte vínculo com Cerro Largo e a identidade missioneira. A ligação com a economia também vem da família: seus pais, Oscar e Ana (in memoriam), ambos economistas, foram referências em sua trajetória.
Desde jovem, tinha interesse pela Matemática e chegou a considerar as engenharias eletrônica e da computação. Posteriormente, optou pela Economia, área com a qual se identificou. Formado pela UFRGS e com mestrado pela mesma instituição, construiu carreira voltada à análise de cenários e geração de previsões. Em 2019, teve a oportunidade de palestrar em Cerro Largo, em evento promovido pela ACI.
Para Oscar, o economista trabalha de forma a traduzir números e o contexto para auxiliar na tomada de decisão dos agentes.
Na CDL de Porto Alegre, seu trabalho envolve a análise estratégica do varejo e a interlocução entre as demandas do setor e o poder público. A entidade também atua com inteligência de mercado, auxiliando empresas na análise e concessão de crédito.
Ao analisar a economia gaúcha, Oscar destaca o crescimento abaixo da média brasileira em determinados períodos e aponta questões estruturais, especialmente demográficas.
A baixa natalidade e a dificuldade de atrair pessoas reduzem a entrada de trabalhadores no mercado. Para ele, nesse cenário, “fazer mais com menos” torna-se uma necessidade.
Outro desafio é a vulnerabilidade climática. Estiagens e enchentes provocam perdas de produção e renda, especialmente no setor agropecuário, com reflexos sobre toda a economia. Por isso, considera fundamental ampliar a resiliência climática do Estado.
A situação fiscal também preocupa. O Estado enfrenta despesas elevadas e forte peso das questões previdenciárias.
Oscar ressalta que o déficit previdenciário é resultado de escolhas feitas ao longo de décadas. Apesar da melhora nos últimos anos, a defasagem ainda é de cerca de R$ 10 bilhões, de modo que o processo de equacionamento do problema com a reforma de 2019 / 2020 ainda levará tempo.
Os movimentos da economia nacional refletem diretamente no Estado. Juros elevados reduzem o ritmo dos negócios, embora sejam utilizados como instrumento de controle dos preços.
O cenário internacional também exerce influência, a partir de conflitos geopolíticos que encarecem insumos, como o petróleo, e diversos outros custos de produção.
Oscar demonstra preocupação com o crescimento das chamadas bets. Para ele, o problema ultrapassa a questão financeira e pode assumir dimensões de saúde pública.
A percepção de que apostar seria uma forma de investimento é considerada equivocada. Por isso, defende maior educação financeira.
Para as famílias, o economista deixa um alerta: crédito não é renda. O acesso ao crédito é importante, mas seu uso inadequado pode agravar a situação financeira.
Apesar das dificuldades, ele afirma que a economia gaúcha não deve ser caracterizada como estando em recessão, mas em crescimento lento. Nesse cenário, a gestão é o principal desafio para que as empresas superem períodos de incerteza e estejam preparadas para aproveitar oportunidades. Essa urgência surge de mercados cada vez mais competitivos e globalizados.
O economista afirma que o grande desafio para o novo governo federal envolve o equilíbrio entre receitas e gastos. Nesse sentido, o vencedor das eleições de 2026 precisará sinalizar compromisso fiscal, sob pena de aprofundar o desarranjo responsável pelo baixo crescimento do PIB.
Independentemente das mudanças, destaca que o caminho passa por analisar dados, compreender riscos e oportunidades e tomar decisões com planejamento.
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