
No especial pelo Dia Internacional da Mulher, a médica Louane Nogueira da Costa, 45 anos, natural de Rio Branco (AC) e residente em Cerro Largo, compartilha sua trajetória, inspirações e reflexões sobre a saúde feminina e o papel da mulher na sociedade. Atuando exclusivamente na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Brasília, ela atende diariamente as demandas da comunidade, de segunda a sexta-feira, acompanhando pacientes desde a pediatria até a vida adulta.
Vocação, desafios e inspirações
Desde a infância, ela já demonstrava vocação para a área da saúde. “Desde criança queria ser enfermeira, depois naturalmente veio o desejo de ser médica”, relembra. Antes de ingressar na Medicina, trabalhou como enfermeira e iniciou a graduação aos 37 anos — uma decisão que exigiu coragem, disciplina e renúncias. Entre os principais desafios, destaca a rotina intensa de estudos, noites em claro para compreender conteúdos complexos e a necessidade de abrir mão de momentos com a família, incluindo o marido e as duas filhas.
Ao falar sobre inspiração, a médica ressalta que várias mulheres marcaram sua caminhada. Empreendedoras, líderes e profissionais da saúde contribuíram para sua formação pessoal e profissional. No entanto, uma figura se sobressai: sua mãe, Dona Regina. “Foi a maior de todas”, afirma. Na Medicina, também encontrou exemplos em professoras e doutoras que a incentivaram, além da pediatra Dra. Filó, que, segundo ela, alia o exercício da profissão à disseminação de mensagens de fé e esperança.
Mulher na saúde: desafios e equilíbrio
Para Louane, embora as mulheres tenham conquistado avanços significativos na área da saúde, ainda enfrentam desafios importantes, como a valorização profissional, a equidade de oportunidades e a sobrecarga da dupla ou tripla jornada. “Muitas conciliam a atuação na saúde com responsabilidades familiares, o que exige resiliência e organização”, observa.
A conciliação entre vida profissional e pessoal, segundo a médica, passa por planejamento e definição de prioridades. Ela busca preservar momentos com a família e dedicar atenção ao autocuidado, com alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos. “Uma profissional que preserva sua saúde física e mental consegue oferecer um atendimento mais atento, empático e qualificado”, pontua.
Saúde feminina e políticas públicas
Na relação com as pacientes, acredita que o fato de ser mulher influencia positivamente. Muitas se sentem mais acolhidas ao abordar questões íntimas, especialmente relacionadas à saúde ginecológica, sexual e reprodutiva. “O vínculo de confiança é um dos pilares da Atenção Primária”, destaca.
Entre os cuidados fundamentais com a saúde feminina, a médica enfatiza a realização periódica do exame citopatológico do colo do útero (Papanicolau), o rastreamento do câncer de mama, o acompanhamento pré-natal, o planejamento reprodutivo e a avaliação da saúde cardiovascular. Ela também chama atenção para a saúde mental, frequentemente negligenciada. “Ansiedade, depressão e exaustão não devem ser naturalizadas — merecem acompanhamento profissional.”
Sobre políticas públicas, Louane avalia que Cerro Largo a acolheu muito bem e que, apesar dos desafios comuns à administração pública, as Unidades Básicas de Saúde estão, de modo geral, bem equipadas para atender as demandas da saúde da mulher. Defende a manutenção e o fortalecimento das ações preventivas, ampliação do acesso a exames e investimentos em educação sexual e em saúde para todas as fases da vida, além do acolhimento às mulheres em situação de vulnerabilidade e violência.
Para ela, o Dia Internacional da Mulher representa um momento de reconhecimento das conquistas históricas, mas também de reflexão sobre os desafios que ainda persistem. “É uma data que reforça a importância da equidade, do respeito e da valorização da mulher em todos os espaços da sociedade.”
Às mulheres de Cerro Largo e da região, deixa uma mensagem direta e inspiradora: “Que se cuidem, da saúde física e mental, sejam fortes independente das lutas que estejam vivendo, sejam unidas independente da classe social, cor, orientação sexual ou religião e que não desistam de lutar pelos seus sonhos, pois somos capazes de ser e estar aonde quisermos.”
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