
Você já parou para pensar sobre a procedência dos alimentos que você consome diariamente? Muitos deles, com certeza, estão recheados de produtos químicos. O que muitas pessoas não sabem é que existem alternativas que permitem o consumo de alimentos e frutas naturais e livres de qualquer tipo de pesticida e o melhor: além de serem facilmente encontrados em Cerro Largo, possuem um preço atrativo, sendo mais barato em decorrência da não utilização de agrotóxicos.
A família Kasper, de Cerro Largo, investiu na agroecologia em sua propriedade. Localizado na Linha Santa Bárbara, o Sítio Agroecológico Resistência, de Maurício Kasper, Natan Kasper, Susana da Silva e Paola Gurlarte possui apenas produtos de origem orgânica. A família Kasper integra a Rede de Agroecologia EcoVida e possui vários certificados que comprovam a atividade orgânica.
PRÁTICAS ORGÂNICAS
Os irmãos Maurício e Natan compraram a área em 2010. Os pés de uvas foram implantados um ano depois, em 2011. O início da certificação como propriedade com práticas orgânicas aconteceu em 2015. ‘‘Nossa propriedade é certificada agroecológica participativa reconhecida pelo Ministério da Agricultura. Estamos inclusos no Cadastro Nacional de Produção Orgânica, fazemos parte da Rede Ecovida de Agroecologia que abrange mais de 5 mil famílias na região Sul do País’’, disse Maurício em entrevista.
No processo de manejo da área, os proprietários Maurício e Susana evidenciaram ao Jornal Gazeta Integração como funciona o trabalho em seu parreiral que hoje é composto por 600 pés em uma área de meia hectare. ‘‘Na agroecologia temos que aprender a conviver com os fungos e doenças, fazendo o uso de caldas e produtos biológicos no período correto para o controle dos mesmos’’, acrescentou Maurício.
Outra ação: ao invés de utilizar inseticida para o controle da vegetação que cresce em meio à uva, os proprietários possuem outra prática: fazer apenas a roçada, não sendo necessário fazer a dessecação. Embaixo da cobertura vegetal, existe uma camada que possui muitos microorganismos que decompões a matéria orgânica. Ao deixar o solo sem planta, o sol irá bater diretamente no solo, aumentando a temperatura. No caso da chuva, as gotas acabam caindo com mais impacto, podendo levar embora a fertilidade do solo.
CUSTO DE PRODUÇÃO REDUZIDO
Ao extinguir o uso de agrotóxicos, além da vantagem de consumir um produto natural, as uvas também apresentam outra vantagem: o preço. Hoje, o valor cobrado pelo quilo de uva no Sítio é menor do que o preço encontrado nos supermercados. O principal fator que justifica essa ação é o custo da produção que diminui consideravelmente ao se optar por produzir de forma ecológica.
Hoje, é difícil encontrar opções orgânicas disponíveis nos supermercados provenientes da produção orgânica. Segundo Maurício, boa parte da uva disponibilizada em Cerro Largo provém de outras regiões, a exemplo da serra gaúcha, podendo não ter procedência orgânica. Para produzir a uva de qualidade, proveniente de um manejo natural, é necessário ter conhecimento. Os proprietários buscaram especialização na área. Maurício é Técnico Agrícola e faz Pós-Graduação em Educação do Campo e Agroecologia. Natan é Biólogo; Susana, além de Bióloga, tem Pós em Ensino de Ciências.
AGROECOLOGIA EM EXPANSÃO
Com as variedades Niágara Rosa, Concord Clone 30, BRS Violeta, BRS Lorena e Isabel Precoce, a ideia é chegar ao pico da produção em alguns anos. Maurício explica que o auge da produção da uva acontece em média com os pés tendo 15 anos. Hoje, com o parreiral há nove anos, a expectativa é de que em seis anos se consiga uma produção de 4 a 5 mil quilos de uva.
Além da comercialização da uva in natura, a família Kasper também realiza o processamento da fruta e, posteriormente, a sua comercialização. A ideia é, futuramente, abrir uma Agroindústria para a venda também fora do Município de Cerro Largo e também diretamente nos pontos comerciais.
Segundo Maurício, comercializar a uva orgânica ainda é um dilema. ‘‘Muitas pessoas não sabem que podem comercializar um produto totalmente livre de agrotóxico e com um preço menor do que encontrado normalmente no comércio’’, disse em entrevista ao Jornal Gazeta.
Além disso, o Educador do Campo e Agroecologista salienta que o modelo de produção que utiliza produtos químicos está se deteriorando. Segundo ele, o uso prolongado das substâncias tem provocado resistência às doenças, propiciando a busca por opções naturais. O Sítio Agroecológico também é aberto para a comunidade local e regional como forma de promover o conhecimento sobre as práticas orgânicas. A propriedade recebe visita de estudantes e professores que buscam informações sobre esse modelo de produção que dispensa o uso de produtos químicos.
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