Com a chegada do frio e ações de combate ao Aedes Aegypti, casos de dengue em Cerro Largo recuam

Com a chegada do frio e ações de combate ao Aedes Aegypti, casos de dengue em Cerro Largo recuam
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MATÉRIA PUBLICADA NA EDIÇÃO IMPRESSA DO DIA 7 DE JUNHO DE 2024

Cerro Largo acumula mais de 2.300 casos de dengue confirmados desde o final do ano passado, segundo o Painel de Casos da Secretaria de Saúde do Estado. Entretanto, os números de casos ativos no Município recuaram significativamente nas últimas semanas. Segundo Cleber Ortiz, Secretário da Saúde, Cerro Largo registrou no início da semana apenas um caso ativo. ''A procura nos últimos dias tem sido baixa, em torno de 3 a 4 casos suspeitos atendidos nas Unidades Básicas de Saúde'', disse em entrevista.

Ele enaltece ainda que o trabalho da Secretaria contribuiu para a diminuição de casos de dengue e continua apesar da chegada do inverno. ''O trabalho que realizamos consiste na instalação de ovitrampas, aplicação de inseticidas, colocação de pedras de cloro em caixas de água, além de ações de conscientização para que a população também faça a prevenção em seus terrenos e casas'', acrescentou.

MELHOR TRATAMENTO É A PREVENÇÃO
Diante do cenário de chuvas com grandes volumes, a exemplo das enchentes que ocorreram no Estado, existe a preocupação de que após o fim do inverno ocorra uma incidência maior de mosquitos. Diante disso, a Secretaria adotou medidas para monitorar a disseminação do Aedes, por meio da instalação de ovitrampas. ''Fizemos parceria com a UFFS para monitorar a reprodução dos mosquitos, a quantidade de ovos, onde estão se reproduzindo. Com essas informações poderemos trabalharmos antecipadamente'', explicou.

FRIO AJUDANDO NA DIMINUIÇÃO DOS CASOS
Segundo Milton Strieder, Doutor em Zoologia e professor da UFFS Cerro Largo, o frio pode ser apontado como um importante fator que auxilia para que ocorra diminuição da população de Ades. ‘‘Quando caem as temperaturas o ciclo reprodutivo do mosquito é mais lento. No Rio Grande do Sul, onde o clima apresenta uma amplitude térmica anual mais elevada, o ciclo de vida do mosquito (ovo, larva, pupa e adulto) se desenvolve com mais intensidade durante os períodos mais quentes do ano’’, explicou.

Ainda segundo ele, nas regiões onde a dengue e outras arboviroses se repetem anualmente apenas no período mais quente do ano, diz-se que são epidemias sazonais, isto é, elas acompanham os ciclos de estação do ano. Além desse comportamento anual, há ciclos em que as epidemias são mais severas, com o aumento de casos muito além do esperado.

No Brasil, a doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti apresenta ciclos com epidemias explosivas ocorrendo a cada 4 ou 5 anos. A ocorrência sazonal da dengue faz com que boa parte das pessoas só se lembram de eliminar os criadouros nos períodos de maior proliferação do mosquito. ‘‘As experiências mostram que as medidas de controle podem ser mais eficazes justamente nos períodos de temperaturas baixas, já que o ciclo reprodutivo do mosquito fica mais lento e, dessa forma, as ações voltadas para o combate terão um impacto maior’’, ressaltou.

PERSPECTIVA PARA O PRÓXIMO VERÃO
O Doutor em Zoologia enalteceu que os ovos do Aedes podem permanecer viáveis durante longos períodos e emergir após vários meses se as condições estiverem favoráveis, durante os períodos mais quentes do ano e com chuvas frequentes. Além disso, há outro agravante: a possibilidade de transmissão transovariana do vírus em mosquitos que ocorrem na natureza. ‘‘ Desta maneira, os mosquitos adultos que vão emergir no próximo verão, de ovos resistentes que já estão no ambiente, podem estar contaminados com o vírus da dengue. Por esta transmissão transovariana o vírus passa da fêmea para larva, uma vez que a contaminação do mosquito correu no momento em que picou uma pessoa contaminada com a doença, no ano anterior’’, explicou.

Diante desse cenário, o professor da UFFS enaltece a importância de realizar o monitoramento do mosquito e programar limpezas para eliminar criadouros também no inverno, afim de se evitar a proliferação no próximo verão.