MATÉRIA PUBLICADA NA EDIÇÃO IMPRESSA DO DIA 25 DE OUTUBRO DE 2024
Natural de São Paulo das Missões, mas residente em Cerro Largo há 12 anos, Bibiana Taube Ortiz conta sua jornada contra o câncer. Junto com a mãe Derli, elas relatam ao Jornal Gazeta a difícil rotina e desafios, cuja vida foi abalada drasticamente pela notícia de um câncer de mama.
Com seus 28 anos, Bibiana reparou a existência de um nódulo na mama esquerda. Consultas foram realizadas na tentativa de se descobrir do que se tratava. ‘‘Inicialmente pensávamos até que era uma glândula mamária, mas optamos por fazer uma consulta médica para averiguar o fato. Nesse momento não pensávamos no pior’’, disse.
Se passaram vários meses até que foi possível realizar a consulta via SUS, visto que inicialmente não se avaliava o caso de Bibiana como câncer. Os primeiros exames foram realizados em setembro de 2019. A realização da mamografia comprovou que se tratava de um nódulo cancerígeno. O resultado trouxe preocupação, já que se tratava de um quadro grave e que precisaria de um cuidado médico urgente.
O início do tratamento aconteceu em novembro de 2019, depois de muita luta e persistência da família perante a burocracia. A mãe Derli lembrou que foram muitos ‘perengues’ para conseguir que a filha tivesse atendimento médico e iniciasse o tratamento com profissionais em Santo Ângelo.
A quimioterapia foi encerrada em abril do ano seguinte, 2020. Devido ao câncer, Bibiana passou por muitos momentos difíceis como a perda do cabelo e também realizou cirurgia para retirada de todo o seio esquerdo, onde estava alojado o nódulo.
O câncer trouxe muita tristeza para ela e sua família. ‘‘As vezes tinha vontade de desistir de tudo’’, disse Bibiana ao relembrar com emoção momentos de sofrimento com o câncer. Entretanto, os momentos angustiantes foram amenizados com a notícia da alta médica, no início de 2023, voltando a uma rotina diária quase que normal.
UMA REVIRAVOLTA: UM NOVO CÂNCER
Quando tudo parecia que ia bem, Bibiana começou a sentir fortes dores no nervo ciático, em agosto de 2023. Mesmo utilizando medicamentos para combater o desconforto, a dor persistia. ‘‘Eu acompanhei minha filha no plantão médico em Cerro Largo porque ela não aguentava de dor; uma dor que fazia com que ela até gritasse’’, lembrou a mãe ao salientar que a filha mal conseguia se locomover devido ao estado de saúde.
Mesmo com remédios, a dor não diminuía, o que fez com que a família desconfiasse de alguma outra doença ou problema. Ao analisar o histórico do paciente, o médico plantonista do Hospital ,de imediato, fez o requerimento para exames que após serem realizados puderam constatar uma metástase óssea em decorrência do primeiro câncer. ‘‘Os médicos até hoje acham esse quadro estranho, porque o nódulo anterior foi retirado’’, disse Bibiana. Entretanto, ela enalteceu que o caso pode estar relacionado à genética da família, já que houve registro de câncer em sua avó paterna, avô marterno, tio e irmão.
O câncer foi diagnosticado na lombar, nono arco costal, tórax e no rosto, entretanto este último considerado, até então, benigno. De imediato foi iniciado o tratamento com radioterapia, em Ijuí, com apoio da Aapecan. ‘‘A associação forneceu um amplo apoio, contando com alojamento aos pacientes nos dias de semana. Ficamos vários dias por lá até que finalizamos o tratamento’’, disse Bibiana.
Nesse mesmo período ocorreu uma nova surpresa: o câncer havia rapidamente se expandido para o cérebro, afetando, inclusive, a visão. O agravamento do caso foi confirmado por uma tomografia na cabeça. ‘‘O câncer estava a 3mm de atingir a medula espinhal. Se ela atingisse essa parte do corpo, eu estaria para o resto da minha vida em uma cadeira de rodas’’, contou.
Para lutar contra o câncer em diferentes partes do corpo, Bibiana fez 10 seções de radioterapia, o que acabou trazendo outras complicações. Ela citou o machucado deixado pelo procedimento no estômago e esôfago, passando apenas a consumir alimentos mais fáceis de se engolir como iogurte e gelatina. Com uma alimentação restrita e muito líquido, ela perdeu 25kg.
FÉ, CORAGEM E PERSISTÊNCIA
O tratamento contra o câncer persiste até hoje e deve seguir pelos próximos anos. Bibiana faz o uso de três medicamentos contra o câncer, um deles com custo mensal de R$20 mil. Por meio de ação judicial, ela recebe o remédio, que vem dos Estados Unidos, gratuitamente.
Apesar da recuperação ser lenta e precisa de atenção, ela já não precisa mais de cadeiras de roda e nem mesmo muleta para se locomover. Hoje realiza quase que normalmente todas as atividades, voltando a dirigir e, inclusive, a trabalhar (em atividade sem esforço braçal); e até mesmo foi liberada para tomar cerveja, não mais do que um copo. ‘‘Minha força de lutar é pela minha família (meus pais, meu irmão, meus sobrinhos, e principalmente pelo meu filho) entre tantos amigos’’, disse.
Meses depois da quimioterapia, a família ainda lembra como a fé foi importante. Derli lembra que, apesar do medo de perder a filha, sempre teve esperança pela sua recuperação. Foi nesse período que a aproximação com a religião foi ainda mais intensa. ‘‘Pedia todos os dias ajuda de Deus e que ele guiasse os médicos que cuidavam dela, porque para Deus nada é impossível’’, contou a mãe que enfrentou situação semelhante com o filho que foi diagnosticado com câncer aos seis meses de vida.
FÉ INABALÁVEL
Diante da experiência vivida, Bibiana afirmou que vê a vida com novos olhos, valorizando até mesmo as pequenas coisas e agradecendo pela oportunidade de viver e pelas pessoas presentes na vida. ‘‘ Digo para quem passar por algum problema, como o câncer, que não perca a fé e a esperança de dias melhores. Foi nesses momentos difíceis que se conhece os verdadeiros amigos, se aprende a dar valor às pequenas ações e a sentir o poder da fé na nossa vida. ’’, finalizou.
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