
O curta-metragem gaúcho "Um Tempo pra Mim", com direção de Paola Mallmann, vai ser projetado neste mês na Mostra Ecofalante de Cinema, em São Paulo, e no Festival Guarnicê de Cinema em São Luís do Maranhão. Recentemente, a produção também foi exibida no Canal Brasil. A obra chama atenção pelo ineditismo. O filme foi rodado inteiramente em guarani e com não-atores indígenas da comunidade Tekoa Koenju de São Miguel das Missões.
Mesclando ficção com linguagem documental, a produção mostra a história de uma menina indígena que fica menstruada pela primeira vez durante um eclipse. Uma descoberta marcada pelos costumes e tradições das mulheres da comunidade em que vive.
"A ideia original do curta começou a ser concebida após eu participar de um seminário sobre educação menstrual com a colombiana Carolina Ramirez, que trabalha a perspectiva de ampliar a conscientização da importância da dignidade menstrual na vida das meninas e mulheres de diferentes nações com o propósito de desmistificar tabus e por uma perspectiva emancipatória. O potencial de conexão e relevância do tema, alinhada com os estudos sobre as culturas indígenas e com a aproximação já anterior com comunidades guarani, me despertou a vontade de conhecer melhor esta realidade, pesquisando e ouvindo a partir da troca com mulheres indígenas", explica Paola Mallmann.
Com produção executiva de Beto Rodrigues, o filme conquistou o Kikito de melhor trilha musical na categoria de curtas-metragens brasileiros na última edição do Festival de Gramado. Venceu ainda o prêmio de melhor direção no 16º Curta Taquary, em Pernambuco. O título foi realizado pelo edital Audiovisual Entre Fronteiras promovido pelo IECINE - Instituto Estadual de Cinema do RS.
Fonte: Correio do Povo
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