
A trajetória de amizade, música e companheirismo de Cleiton Santos permanece viva na memória daqueles que tiveram a oportunidade de conviver de perto com ele. Amigos de longa data relembram, com emoção, momentos compartilhados ao longo de mais de duas décadas e destacam a generosidade, a alegria e a disposição de Cleiton em ajudar todos ao seu redor.
Entre os amigos que carregam essas lembranças está Rodrigo Slodkowski, que conheceu Cleiton em 2003. A aproximação aconteceu por meio de amigos em comum. Rodrigo acompanhava Cleiton em suas apresentações em barzinhos e também na rádio, antes de os dois estreitarem ainda mais os laços por meio da música.
Em 2004, a trajetória musical ganhou novos capítulos com a formação da banda Garotos do Baile. Como já existia um grupo com esse nome, os músicos precisaram mudar a denominação, retornando então a banda Sul Brasil, que marcou a trajetória de Cleiton e de seus companheiros.
Para Rodrigo, Cleiton era muito mais do que um colega de banda. Era um irmão e uma pessoa sempre disposta a ajudar. “Se precisasse, ele tirava o casaco para dar para quem estava com frio”, recorda. Segundo ele, Cleiton era amigo de todos e dificilmente dizia “não” quando alguém precisava de ajuda.
Entre as histórias que ficaram marcadas na memória, Rodrigo lembra de uma viagem na véspera de Ano Novo, quando retornavam de Erechim. Durante o trajeto, a caixa do ônibus da banda acabou quebrando. Eles começaram a tocar às margens da estrada, enquanto as pessoas que passavam acenavam para eles. Até que um ônibus da Real acabou oferecendo carona., tudo havia solução.
A situação, para Rodrigo, representa bem a maneira como Cleiton encarava a vida: sempre encontrando uma alternativa diante das dificuldades. “Ele sempre dava um jeito em tudo. Nada estava difícil para ele. Era uma pessoa incrível”, relembra.
Uma amizade que virou família
Almir Luiz Perez, sócio fundador da Banda Sul Brasil em 1999, conheceu Cleiton em 2016, quando retornou para Guarani das Missões em 2016. Naquele período, um integrante deixou a banda e, casualmente, Almir acabou conhecendo os demais músicos e retornando ao grupo. A partir daí, nasceu uma amizade que, segundo ele, rapidamente ultrapassou os limites da música.
“Cleiton era um irmão. Nós falávamos todos os dias, trocávamos ideia. Era uma família”, afirma Almir. “Era um exemplo de amigo, pai e empresário. Sempre brincava como ele: quando crescer, quero ser igual a você”.
Além dos compromissos com a Sul Brasil, Almir e Cleiton também tocavam juntos em festas particulares. Os ensaios da banda começavam por volta das 19h30 e, muitas vezes, avançavam madrugada adentro. Mais do que ensaios, eram momentos de convivência, amizade e longas conversas.
Almir também guarda lembranças de momentos importantes da história da banda, como a ocasião em que os integrantes foram buscar o ônibus da Sul Brasil, ou também quando fomos gravar a primeira música juntos no estúdio “O Amor de Antes”. Para ele, são recordações que ganham ainda mais significado diante da ausência do amigo.
“Ele é insubstituível. Sempre estará no nossos corações. Era nosso irmão de coração, o cara que nos abraçava e nunca nos deixava para trás”, destaca.
“Ainda custa a acreditar. Parece que ele vai chegar aqui na oficina a qualquer momento. Ele sempre dava uma passadinha, conversávamos quase todos os dias”, relata.
Para Rodrigo e Almir, Cleiton deixa não apenas a saudade, mas também um legado de amizade, companheirismo e solidariedade. As histórias vividas ao lado dele permanecem como uma forma de manter viva a memória de alguém que, para muitos, deixou de ser apenas amigo para se tornar parte da família. Além da amizade e da convivência com os colegas, Cleiton era lembrado por ser um pai e esposo muito presente. Segundo os amigos, fazia questão de acompanhar de perto a vida da família, estando sempre ao lado da esposa e dos filhos, inclusive nos momentos simples do dia a dia e nas atividades esportivas. O futebol do filho, assim como o balet da filha, eram formas de estar presente e participar da vida deles. Cleiton sempre colocou a família e as amizades acima de tudo. Demonstrava no cotidiano o amor e o carinho que sentia por aqueles que mais amava.
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