
Cerro Largo vive um cenário típico de instabilidade climática no campo. Em diferentes pontos do município, produtores rurais enfrentam realidades distintas: enquanto algumas localidades registram maiores volumes de chuva, outras convivem com precipitações escassas ou mal distribuídas. A situação, comum em períodos de irregularidade climática, tem impacto direto no desempenho das lavouras.
De acordo com a Emater local, muitas áreas de soja ainda apresentam bom potencial produtivo, mas depende diretamente do volume e da regularidade das chuvas nas próximas semanas. Além do clima, o tipo de solo também influencia nos resultados. Áreas com solos mais rasos e pedregosos tendem a perder umidade com maior rapidez, o que acelera o estresse hídrico das plantas.
SOJA
A estimativa inicial era de produtividade de 60 sacas por hectare. No entanto, diante das condições verificadas até o momento, a projeção foi revisada e a média de perdas no município já gira em torno de 25%, com estimativa de rendimento em torno de 45 sacas.
Segundo a engenheira agrônoma da Emater, Carla Sausen, o momento atual é decisivo. A maioria das lavouras estão na fase de enchimento de grãos, considerada determinante para o rendimento final da colheita e que exige boa disponibilidade de água. O início da colheita da oleaginosa está previsto para março, com maior intensidade na segunda quinzena do mês.
Para o secretário municipal de Agricultura, Charles Scherer, caso as chuvas ocorram de forma regular e com volumes adequados, ainda é possível reduzir parte das perdas projetadas. “Dentro do município, temos áreas com perdas de 20% e outras de até 70% até o momento”, destacou.
MILHO
Já o milho safra, cuja colheita foi concluída, apresentou desempenho dentro do esperado diante das condições climáticas. A estimativa inicial era de 120 sacas por hectare, mas a média final registrada ficou em 108 sacas, representando uma perda de 10%. “Apesar da redução na média municipal, algumas propriedades alcançaram produtividade de até 130 sacas por hectare, e o resultado geral foi considerado satisfatório”, complementa Carla.
PRODUÇÃO LEITEIRA
Outra atividade impactada pelas chuvas irregulares foi a produção leiteira, que hoje conta com 120 produtores. Em períodos normais, a produção diária é de 50 mil litros, 45% deste volume é oriundo de propriedades onde os animais estão em sistema de confinamento. Em função das chuvas irregulares e do calor, houve diminuição de 15% da produção diária do município.
Segundo Manoela Theobald Pazdiora, médica veterinária da Emater, nas propriedades de confinamento não se observa diminuição acentuada na produção. Entretanto, o modelo adotado acaba elevando o custo de produção.
Por outro lado, os produtores que adotam o sistema de pastejo têm sido mais impactados pela redução na produção, especialmente em função do calor e da menor disponibilidade de alimento verde nesta época do ano. Além disso, a necessidade de complementar a alimentação também contribui para o aumento dos custos.
Em ambos os casos, os produtores enfrentam outro desafio: o preço do leite, que apresentou quedas constantes nos últimos meses e atualmente varia entre R$ 1,85 e R$ 2,30 por litro. Do último mês para cá, há relatos de um leve aumento, mas ainda muito abaixo dos valores praticados em outros períodos, quando o preço ultrapassava os R$ 3,00 por litro.
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