
A colheita do trigo está ganhando ritmo na região. Em Cerro Largo, onde a área cultivada é de aproximadamente 2.250 hectares, a cultura apresenta rápida evolução das fases, aproximando-se do final do ciclo. Atualmente, cerca de 25% das lavouras estão em final de enchimento de grãos, 55% em processo de maturação e 20% já foram colhidas.
Conforme relatos de produtores rurais à Emater, a produtividade média tem variado entre 45 e 55 sacas por hectare, com boa qualidade de grão e peso hectolitro (PH) entre 78 e 80. Cabe ressaltar que o rendimento e a qualidade de grão variam de propriedade para propriedade, levando em conta critérios como época de plantio, variedade, tipo de solo e clima. A expectativa é de que a colheita se intensifique nas próximas semanas, à medida que as condições climáticas se mantenham favoráveis.
COOPEROQUE
A Cooperoque é uma das cooperativas que recebem trigo na região. Conforme a Engenheira Agrônoma e Coordenadora do Departamento Técnico, Márcia Stracke, a estimativa de área cultivada sob a abrangência da cooperativa é de cerca de 15 mil hectares. Com relação a safra, estima-se o recebimento de 700 mil sacas até o final da colheita.
Segundo ela, esta safra foi marcada pela precaução. Muitos agricultores optaram por reduzir investimentos nas lavouras, devido às incertezas na cultura e às condições climáticas desfavoráveis observadas em anos anteriores. Houve casos de utilização de sementes próprias e menor aplicação de tecnologias de manejo e adubação.
Apesar disso, as primeiras cargas recebidas pela cooperativa demonstram bom rendimento nas lavouras da região, com registros variando entre 50 e 70 sacas por hectare. O PH dos grãos também apresenta resultados satisfatórios, ficando em torno de 78.Por outro lado, um dos principais desafios enfrentados pelos produtores nesta safra foi o controle de plantas daninhas, especialmente o azevém, que comprometeu o desenvolvimento de parte das áreas cultivadas pelo seu difícil controle.
PREÇO BAIXO PELA SACA
O produtor Levir José Welter, de Cerro Largo destinou 75 hectares ao cultivo do trigo nesta safra. A colheita iniciou em uma área de 15 hectares na Linha São Francisco. Entretanto, o agricultor também mantém lavouras nos municípios de Rolador e Campina das Missões.
Em entrevista, Levir destacou que o rendimento da cultura está superior ao do ano passado, quando colheu praticamente só triguilho devido às condições climáticas adversas. Apesar da melhora na produção, ele demonstra preocupação com o preço do cereal, que está em torno de R$60 por saca, sendo que em anos anteriores já recebeu acima de R$100,00. ''Comparando o investimento com o retorno, o valor vai ser deficitário", contou.
Com diferentes áreas e três variedades semeadas, o produtor estima uma média de 35 sacas por hectare, sendo que essa, onde iniciou a colheita, deve passar de 50, mas as outras áreas devem ter uma queda significativa. "O cálculo entre o investimento e o preço na comercialização frustra as expectativas. Agora, no período da colheita, com a redução do valor da saca, não se tem o retorno esperado".
Entre os desafios enfrentados nesta safra, o agricultor cita o controle de plantas invasoras, presentes em praticamente todas as áreas cultivadas. Mesmo com a aplicação de defensivos, parte das plantas resistiu ao manejo, prejudicando o desenvolvimento do trigo e exigindo maior atenção durante o ciclo da lavoura.
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