
A cultura do trigo segue em bom ritmo no Rio Grande do Sul e em Cerro Largo, com perspectivas positivas de produção. Conforme levantamento da Emater/RS-Ascar, a área cultivada no Estado está projetada em 1.198.276 hectares, enquanto no município a estimativa é de 2.250 hectares, a maior parte já em fase de floração e início de enchimento de grãos.
Em entrevista, a engenheira agrônoma Carla Sausen, da Emater de Cerro Largo, explicou que, mesmo com o início de plantio marcado por chuvas intensas em junho, as condições climáticas subsequentes favoreceram o desenvolvimento das áreas, que hoje apresentam bom potencial produtivo. “Não há relatos de grande incidência de doenças como ferrugem, oídio, giberela ou manchas foliares. Os casos estão sendo monitorados e controlados com aplicações de fungicidas”, destacou.
A recomendação é que os agricultores mantenham atenção ao monitoramento de pragas e doenças, especialmente nas lavouras em fase reprodutiva, período mais crítico para a ocorrência de doenças fúngicas, como giberela e mancha da gluma, que podem afetar a produtividade e a qualidade do grão.
No ano passado, Cerro Largo registrou uma média de 2.700 kg/ha (45 sacas/ha), mas a qualidade foi comprometida pelas chuvas no final do ciclo. Para 2025, a expectativa inicial é de 3.300 kg/ha (55 sacas/ha), com grãos de melhor qualidade. “O cenário atual é positivo, mas ainda dependemos da manutenção de condições climáticas adequadas até a colheita”, ressaltou a técnica da Emater.
NO CAMPO
O jovem produtor Guilherme Both Schneider, de 22 anos, cultiva 70 hectares de trigo na localidade de Linha Taquarussú, em Cerro Largo, e neste ano ampliou a área destinada à cultura.Atualmente, parte das lavouras está em fase de alongamento e outra em floração. Mesmo com o atraso na semeadura, o desenvolvimento tem sido considerado favorável. Porém, algumas cultivares apresentaram infestação de oídio e pulgão, controlados com fungicidas e inseticidas.
Um dos principais desafios apontados por Guilherme é o azevém resistente a herbicidas, presente em várias lavouras da região. “Ele prejudica o desenvolvimento, causa impurezas e descontos na cooperativa”, explica.
Com relação à safra, o produtor mantém boas expectativas: caso o clima colabore, espera colher em torno de 60 sacas por hectare. No entanto, ressalta a importância das condições no período de enchimento de grãos e maturação. “O trigo só consideramos uma safra boa depois de colhido. Se chover quando está maduro, perde pH, qualidade e preço, e não há lucratividade”, conclui.
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