Cerro-larguense lidera inovação na área farmacêutica

Cerro-larguense lidera inovação na área farmacêutica

A impressão 3D tem revolucionado diversas áreas da ciência, e agora promete transformar também a área farmacêutica. No Brasil, a startup formula3D, fundada pela cerro-larguense Nadine Lysyk Funk e sócias, está à frente dessa inovação, trazendo uma nova abordagem na produção de medicamentos personalizados e mais acessíveis.

Uma trajetória de inovação
Nascida em Cerro Largo, Nadine Lysyk Funk, de 29 anos, trilhou um caminho promissor na área farmacêutica após concluir os estudos no Colégio La Salle Medianeira. Graduada em Farmácia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ela sempre teve interesse pelo desenvolvimento de novos produtos. Durante o doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), se especializou na tecnologia de impressão 3D de medicamentos, uma inovação que possibilita a produção de remédios sob medida para as necessidades de cada paciente.

A pesquisa ganhou ainda mais relevância quando Nadine enfrentou um desafio pessoal: sua mãe foi diagnosticada com câncer de esôfago, necessitando de administração de medicamentos por sonda enteral. “Senti na pele as dificuldades enfrentadas e percebi que poderia usar meu conhecimento para melhorar essa realidade”, conta.

Como funciona a impressão 3D de medicamentos?
A tecnologia permite que medicamentos sejam produzidos sob demanda e com precisão de dosagem, eliminando problemas comuns, como a divisão de comprimidos para ajustes de dose. O processo começa com a criação de um material de partida, que pode ser um gel ou um filamento polimérico misturado com o princípio ativo do medicamento. Esse material é colocado na impressora 3D, que, camada por camada, constrói o medicamento na dosagem exata para cada paciente.

Além da personalização da dosagem, a impressão 3D pode melhorar a adesão ao tratamento, especialmente em crianças e idosos. Os medicamentos podem ser impressos em formatos lúdicos, como ursinhos ou corações, além de receber sabores e cores personalizadas. Para pacientes idosos, que frequentemente precisam tomar múltiplos remédios ao dia, é possível criar um único comprimido contendo diferentes princípios ativos (poly-pills), facilitando a administração e evitando esquecimentos.

O impacto no mercado farmacêutico
Desde a aprovação do primeiro medicamento impresso em 3D nos Estados Unidos em 2015, a tecnologia tem ganhado espaço no mundo. Na Europa, hospitais já utilizam a impressão 3D para produzir medicamentos personalizados, tornando os tratamentos mais eficazes.

No Brasil, a formula3D é pioneira nesse avanço. Em 2025, a startup vai iniciar o primeiro estudo clínico brasileiro com um medicamento impresso em 3D, em parceria com o Hospital Dona Helena, de Joinville (SC). A empresa já recebeu diversos prêmios e reconhecimentos, consolidando-se como um dos projetos mais inovadores do país.

Desafios e perspectivas para o futuro
Embora a impressão 3D de medicamentos já seja uma realidade no exterior, no Brasil ainda há desafios regulatórios a serem superados. No entanto, a expectativa é que nos próximos dois a três anos, os primeiros medicamentos impressos estejam disponíveis no mercado nacional, especialmente em hospitais e farmácias de manipulação.
Para Nadine, a impressão 3D não substitui a indústria farmacêutica tradicional, mas preenche lacunas que a produção em massa não consegue atender, permitindo tratamentos mais eficazes e personalizados. “Nossa tecnologia vem para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e tornar os tratamentos mais acessíveis e eficientes”, finaliza.