Estratégias para lavoura de trigo rentável e sustentável são apresentadas em dia de campo em Três de Maio

Estratégias para lavoura de trigo rentável e sustentável são apresentadas em dia de campo em Três de Maio
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A construção de uma lavoura de trigo sustentável e rentável foi o tema central de dia de campo realizado nesta quarta-feira (05/06), em Três de Maio. Principal cultura de inverno do RS, o trigo deve ser implantado em torno de 300 mil hectares na região de Santa Rosa, na safra 2024, segundo dados da Emater/RS-Ascar.

A área em que o dia de campo foi realizado, de propriedade de Jaime e Leandro Bao, deu visibilidade à importância da adoção de práticas conservacionistas do solo e o manejo adequado de cultivares para a rentabilidade das lavouras.

Na estação conduzida pela equipe FieldCrops, vinculada à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o público pode acompanhar orientações sobre como construir uma lavoura de trigo para altas produtividade e rentabilidade, com mínimo impacto ambiental. A estação se tornou espaço de grande interação, com troca de experiências científicas e empíricas. Foram apresentadas informações com base em dados coletados em mais de 300 lavouras de trigo no RS durante três anos (2021-2023) e que agora retornam aos produtores. A pesquisa traz informações sobre como alcançar o potencial de produtividade do trigo, passando por pilares como época de semeadura, escolha de cultivares diferentes com escalonamento de plantio, sementes e quantidade adequada de nutrientes e água.

Entre as principais preocupações em relação às lavouras de trigo está o manejo de doenças. Neste sentido, na estação sob responsabilidade da Emater/RS-Ascar, o engenheiro agrônomo Fábio Karlec alertou para o manejo integrado das doenças no trigo mais incidentes na região.

O manejo de doenças, contudo, deve fazer parte de um sistema que seja favorável à sustentabilidade e à produtividade. No exemplo da propriedade anfitriã são adotados plantio em nível, curvas de nível, rotação de culturas e cobertura permanente do solo. “A prática de rotação de culturas repercute muito na questão de qualidade física do solo, ciclagem de nutrientes e aumento da produtividade”, destaca Karlec, e acrescenta que a rotação de culturas permite a quebra do ciclo de doenças, uma vez que é recomendado não cultivar a mesma espécie na área até que os restos culturais da safra anterior não estejam completamente decompostos.

Segundo o extensionista da Emater/RS-Ascar, é preciso se preocupar basicamente com quatro complexos de doenças no trigo: o oídio, no início do desenvolvimento; o complexo de manchas foliares relacionadas a inóculo inicial presente na área com restos culturais de “trigo sobre trigo”; o grupo das ferrugens, especialmente em anos chuvosos; e doenças de espiga como giberela e brusone.

O manejo inteligente do nitrogênio em trigo com tecnologia americana, utilizada nos EUA há mais de 60 anos, foi abordado pela equipe Ouro Fértil, com base em pesquisas realizadas e propostas adaptadas ao Brasil, de acordo com os tipos de solo e o clima do RS.

Importante para a tomada de decisões, a previsão climática para a safra de trigo 2024 foi apresentada pela meteorologista da UFSM, Jéssica Gonçalves. Relacionadas ao prognóstico, orientações técnicas em relação ao período de plantio, manejo e colheita foram compartilhadas pelo coordenador da Equipe FieldCrops, Professor Nereu Streck.

De junho a setembro se espera um período de neutralidade, com modelos que projetam a possibilidade de La Niña para os últimos meses do ano. Para o trigo grão, dentro do zoneamento, se espera um cenário climático favorável. No prognóstico trimestral, de junho a agosto, estimam-se precipitações levemente abaixo da média normal, que é de 150 mm por mês no Noroeste do Estado. Em setembro, as chuvas podem ocorrer num volume maior. A tendência global de aumento da temperatura mínima e máxima deve se estender também para a região, podendo influenciar na redução de ocorrências de geadas.

Fonte: Emater