‘‘Tudo que tenho consegui na estrada’’, conta Delmar Ferreira

‘‘Tudo que tenho consegui na estrada’’
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MATÉRIA PUBLICADA NA EDIÇÃO IMPRESSA DO DIA 25 DE JULHO DE 2025 - ESPECIAL COLONO E MOTORISTA

Guarani das Missões – Aos 58 anos, Delmar Ferreira carrega no rosto e nas palavras a marca de quem viveu intensamente os quilômetros rodados pela vida. Natural de Guarani das Missões, casado e pai de três filhos, ele é caminhoneiro há quase quatro décadas. Atualmente, trabalha na empresa Rodoma, transportando carga líquida vegetal pelos estados do Sul, além de São Paulo e Goiás, quando necessário.

Mesmo aposentado, ele continua firme no volante. “A estrada representa tudo pra mim. Tudo que tenho na vida consegui nela. Gosto do que faço e vou trabalhar enquanto tiver saúde”, afirma com convicção.

Uma trajetória de fidelidade
Foram 32 anos dedicados à mesma empresa, que exportava óleo vegetal, especialmente para o Porto de Rio Grande e para o estado de São Paulo. “Quando ia pra São Paulo, ficava uma semana fora. Mas em Rio Grande era bate e volta, toda semana em casa. Tive sorte de acompanhar de perto a criação dos meus filhos”, relembra.

Companheirismo e superação
O caminhoneiro destaca que a estrada vai muito além do trabalho. “As amizades são uma terapia. Tu amanhece no Paraná, já conhece gente nova, troca ideia. É melhor do que ter um psicólogo junto”, brinca.

No entanto, ele não ignora as dificuldades: rodovias em más condições, desgaste de caminhões, combustível caro e o aperto vivido pelos donos de frota. “A estrada hoje castiga. Muito buraco, prejuízo. A gente precisa de mais atenção dos governantes com isso”, alerta.

Cicatrizes e aprendizados
Entre os momentos difíceis, um em especial marcou sua história: um acidente em que tombou o caminhão e ficou ferido. “Mas estou aqui, graças a Deus”, resume, com a resiliência de quem aprendeu a seguir em frente.

Um recado de quem vive o asfalto
Para ele, o Dia do Colono e do Motorista é um lembrete da importância dessas profissões. “Sem os colonos, nada chega à nossa mesa. E sem nós, caminhoneiros, também não chega. As duas classes são fundamentais, cada um fazendo sua parte nessa engrenagem”, diz.